A Comissão Teológica Internacional publicou, no início de
setembro, o documento "Cuidar de nossa Casa comum – Resposta responsável e
fraterna ao Deus trinitário", com a autorização do Papa Leão XIV. O texto
nasce da pergunta sobre como responder, de uma perspectiva cristã, à crise
ecológica e social que a humanidade atravessa.
Um dos pontos centrais do documento, fruto de reflexões
conduzidas entre 2022 e 2025, é justamente a ideia que sustenta o trabalho da
Reserva Santuário: nada nem ninguém existe isoladamente, e tudo está
inter-relacionado, formando uma única comunidade de vida. Essa visão de
interconexão está na base dos encontros, cursos e retiros vividos na Reserva, mas
também de suas ações concretas de preservação: o monitoramento da fauna
silvestre que habita a área, o cuidado com os quase 95 hectares de mata, e todo
o esforço para manter esse espaço como um refúgio vivo, tanto para os animais
quanto para as pessoas que ali buscam se aproximar de Deus.
O documento também reúne dados alarmantes sobre a
deterioração ecológica, como o desaparecimento da biodiversidade, a poluição do
ar e a piora na qualidade da água, com repercussões graves sobre os mais
pobres. Diante disso, defende que a resposta não pode ser apenas técnica: é
necessária uma verdadeira conversão ecológica, uma mudança nos valores e no
modo de vida. Chega a propor a expressão "pecado contra a Criação e contra
o Criador" para nomear teologicamente o dano ambiental.
O olhar da fé, segundo o documento, leva a rejeitar “dois
extremos inaceitáveis”: a visão de que o ser humano é dono absoluto da Criação (antropocentrismo
predatório) e também a que absolutiza a natureza em si (biocentrismo ou ecocentrismo).
O caminho proposto é o que o Papa Francisco (e depois Leão XIV) chamou de
“antropocentrismo situado”, o de um ser humano administrador e servidor daquilo
que lhe foi confiado na Criação. O ápice dessa vocação seria a Eucaristia, “escola
ecológica" em que a fé cristã encontra sua força para promover uma atitude
positiva e proativa diante da natureza.
O texto também resgata a inspiração de São Francisco de
Assis, padroeiro que guia o caminho espiritual da própria ABAN, convidando a
uma "virada ecológica" e encerrando com uma nota de esperança: por
mais grave que seja a crise, ela não abala a confiança em um Deus que renova
todas as coisas.
Fonte: Vatican News

