Em maio de 2026, o Papa Leão XIV publicou sua primeira encíclica, Magnifica
Humanitas, escolhendo enfrentar um dos maiores desafios da era
contemporânea: garantir que o avanço tecnológico sirva a todos, e não apenas a
poucos.
O rico texto, que pretende prestar uma importante contribuição à Doutrina Social
da Igreja, não condena a inteligência artificial em si, reconhecendo nela um
recurso capaz de ampliar o conhecimento humano, melhorar serviços e abrir
novas possibilidades. Mas faz uma reflexão profunda e necessária sobre o uso que
se faz dela — e a quem esse uso beneficia.
Assim como seu predecessor Leão XIII, que em 1891 ergueu a voz pelos operários
diante da questão social de sua época, Leão XIV identifica nas transformações
digitais novas formas de precariedade e desigualdade: salários crescentes para
uma minoria altamente especializada e rendimentos cada vez mais reduzidos para
a maior parte dos trabalhadores. Entre os eixos principais da encíclica estão a
defesa da justiça social, a dignidade do trabalho, a solidariedade e o cuidado com
os mais vulneráveis — especialmente migrantes, jovens, pessoas em situação de
pobreza e populações impactadas por mudanças tecnológicas.
A encíclica deixa claro que a tecnologia assume o rosto de quem a financia, regula
e utiliza. Por isso, a responsabilidade é de todos: governos, empresas, instituições
educacionais e comunidades religiosas. O papa pede "escolhas corajosas" para
evitar que a evolução tecnológica gere "mais pobreza e desigualdades, com uma
multidão de excluídos rodeados por máquinas".
O apelo final do Papa é ao mesmo tempo simples e exigente, destinado a todos os
homens e mulheres de boa vontade: que sejam "construtores de comunhão" e
não "arquitetos de Babel".
O texto da Magnifica Humanitas, assim como dos outros documentos da Igreja,
pode ser livremente acessado em português no site do Vaticano.

