Apesar do voluntariado ser um trabalho, ele está numa lógica
oposta ao conceito original da palavra trabalho: instrumento de tortura,
castigo pelo pecado. O voluntário quer trabalhar, busca o trabalho, ama
trabalhar. Logo, não tem problema se a missão for grande ou difícil. A
motivação primeira é o amor que brota de um propósito maior. Mas estamos
imersos numa lógica do trabalho como exploração e por isso, no desejo de
abreviá-lo e simplificá-lo o tempo todo. Assim, não é raro encontrarmos
voluntários que reproduzem esta prática nos espaços que buscou voluntariamente
para atuar. Estão todo o tempo correndo do trabalho, fazendo parcialmente e
imperfeitamente para “evitar a fadiga” (Lógica do Jaiminho).
Vivem uma contradição, pois buscaram livremente um trabalho
e evitam na rotina o máximo trabalhar. Alguns conseguem travestir isso de busca
de eficiência, tendo menor esforço e gasto de energia para obter o resultado.
Mas, se assim o fosse, cumpririam mais metas, pois utilizariam o tempo que
economizaram ajudando mais pessoas.
Olhe no espelho e veja se você se entrega sem reservas nos
momentos em que opta por doar um pouco de si para um mundo melhor.

