30 Agosto 2023
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VIA-SACRA DO VATICANO DENUNCIA ABUSO DE PODER E RESSALTA PAPEL DO VOLUNTARIADO

Na celebração da Via-Sacra no Coliseu, na Sexta-Feira Santa (03/04), as meditações do frei Francesco Patton destacaram fortemente a responsabilidade das lideranças diante dos conflitos e injustiças do mundo atual. A cerimônia foi presidida pelo Papa Leão XIV, que escolheu o frade para conduzir as reflexões e fez questão de carregar a cruz durante todo o percurso. 
Ao longo das reflexões, o frade franciscano fez uma dura crítica ao uso do poder, especialmente em contextos de guerra. Ele recordou que “toda autoridade terá de responder perante Deus pela forma como exerce o poder recebido”: o de “julgar”, “iniciar uma guerra ou de a terminar”, “alimentar o desejo de vingança” ou “de reconciliação”, e ainda “o poder de usar a economia para oprimir os povos ou para libertá-los da miséria”. 
A meditação também evocou o sofrimento atual de populações atingidas por conflitos, onde há casos em que “os cadáveres não são restituídos”, obrigando famílias a se humilharem para garantir um sepultamento digno. Ele ressaltou que “mesmo o corpo de uma pessoa morta conserva a dignidade da pessoa”, e não apenas o da "pessoa boa", mas também o de "um criminoso”.
O tema da dignidade humana atravessou diversas estações da Via-Sacra. Ao recordar o despojamento de Jesus, frei Francesco afirmou que “essa tentativa […] de despojar Cristo de sua dignidade humana se repete continuamente” nos dias de hoje em práticas como tortura, exploração e exposição indevida.
Durante o percurso, também foram lembrados os “cireneus de hoje”, pessoas que, em diferentes partes do mundo, se dedicam ao cuidado dos mais vulneráveis, muitas vezes em contextos de risco. Para o frade, muitos dos milhares de voluntários pelo mundo não creem e, sem saber, ajudam Cristo a “continuar carregando a cruz” ao cuidar dos outros. As mulheres, tão presentes na hora da Paixão de Cristo, foram evocadas como símbolo de presença junto ao sofrimento humano, refletidas hoje naquelas que atuam em cenários de guerra, pobreza e exclusão.
A celebração reforçou, por fim, que a Via-Sacra não se limita a um ato devocional. Nas palavras do frei Francesco, não se trata de um caminho  “meramente ritualístico ou intelectual”, mas de um compromisso concreto com a realidade, no qual fé, esperança e caridade se traduzem em ações em favor da dignidade humana e da paz.
O papa Leão, em sua oração, convidou todos a seguirem os passos de Cristo, reforçando a concretude da vivência cristã. 

Com informações do VaticanNews.


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